Alfredo Wagner
Alfredo Wagner é um município de Santa Catarina, localizado a 111 quilômetros da capital, Florianópolis. A cidade fica a 480 metros de altitude, situada nas coordenadas 27º42'01" de latitude Sul e 49º20'01" de longitude Oeste.
A história da ocupação local começou com um grupo de dezenove soldados, que estabeleceram o primeiro assentamento perto do Morro do Trombudo. Esse movimento deu origem à Colônia Militar de Santa Thereza, um projeto de colonização criado nos mesmos moldes daquele que fundou a cidade de Imperatriz, no Maranhão.
Mais tarde, a colônia foi transferida para as margens do rio Itajaí do Sul, onde conseguiu prosperar e se desenvolver. No entanto, com a Proclamação da República, a instalação perdeu seu status militar e acabou sendo transformada no distrito de Catuíra. No final de 1961, Catuíra disputou com as comunidades de Barracão e Arnópolis o direito de abrigar a sede do futuro município, que estava ganhando independência da cidade de Bom Retiro.
Durante o processo de emancipação, vários nomes foram sugeridos para a nova cidade. A Câmara Municipal acabou decidindo, por maioria, homenagear Alfredo Henrique Wagner. Nascido em São Pedro de Alcântara, ele havia morado na antiga colônia militar e, posteriormente, na localidade de Lomba Alta, onde exerceu diversas profissões. A escolha do seu nome foi um reconhecimento à sua postura sempre honesta, trabalhadora e íntegra, servindo de exemplo para a região.
Pré-História
No início dos anos 1990, professores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) fizeram uma grande descoberta em Alfredo Wagner: encontraram fósseis de mesossauros, répteis que habitaram a região há cerca de 220 milhões de anos.
História
Origens e Povoamento
A história da ocupação de Alfredo Wagner tem como pioneiro o coronel Serafim Muniz de Moura. Conhecido por seus fortes ideais republicanos e por sua atuação na Guerra dos Farrapos, ele já era uma figura presente na região serrana de Lages e em Laguna. Em meados da década de 1840, Serafim e sua família se tornaram os primeiros a se estabelecerem de forma definitiva nas terras que hoje compõem o município.[7]
Poucos anos depois, em 8 de novembro de 1853, o Império criou a Colônia Militar Santa Thereza na localidade de Guarda Velha, área que hoje pertence a Bom Retiro. O projeto inicial, contudo, esbarrou nas condições climáticas extremas: nevou bastante e choveu sem parar por três anos na região. A alternativa foi transferir a colônia para as margens do rio Itajaí do Sul. Nesse novo espaço, o assentamento vingou, chegando a abrigar mais de 500 famílias em um território que ocupava boa parte da atual Alfredo Wagner.
Por ser uma instituição oficial do Exército Brasileiro, a colônia recebia um suporte forte do Estado. Os soldados-colonos tinham direito a um pagamento mensal e recebiam lotes de terra para plantio, que passavam definitivamente para os seus nomes após um período. Para incentivar ainda mais o desenvolvimento, o governo costumava enviar sementes e mudas para alavancar a agricultura local.[8]
Com a proteção garantida pelo Exército e as facilidades para adquirir terras, o território foi sendo povoado rapidamente. Embora a colônia não tenha sido idealizada para receber imigrantes alemães, muitas dessas famílias — que não haviam se adaptado em outros locais — acabaram migrando para lá. Mas esse ritmo de progresso foi duramente interrompido com a Proclamação da República.
A transição de regime trouxe momentos sombrios para Santa Catarina. Na fortaleza de Anhatomirim, por exemplo, 185 presos políticos monarquistas foram fuzilados sob as ordens de Floriano Peixoto. Na época, a colônia militar fazia parte do município de São José, que teve toda a sua liderança monarquista eliminada nesse massacre. Como retaliação e enfraquecimento político, São José foi desmembrado e reduzido apenas a uma pequena faixa à beira-mar. Sem apoio, a Colônia Militar Santa Thereza foi extinta logo depois, rebatizada como Catuíra e anexada a Bom Retiro.[8]
Foi justamente nessa época turbulenta que surgiu uma das lendas mais famosas do município. Em 1893, durante a Revolução Federalista, um grupo de soldados fugia com medo de retaliações. Um deles, que estava bastante doente e era conhecido apenas como "Soldadinho", se perdeu na mata. Dias depois, foi encontrado morto, congelado pelo frio intenso. A comunidade construiu um túmulo no local onde ele faleceu, que até hoje atrai visitantes e devotos mais antigos que acreditam nos milagres do Soldadinho.[7]
Formação Administrativa e História Recente
A comunidade continuou se desenvolvendo e, em 1957, conquistou o status de distrito. A sonhada emancipação política chegou em 21 de dezembro de 1961, através da Lei nº 806, que desmembrou definitivamente as terras de Alfredo Wagner do município de Bom Retiro.[7]
O novo município foi instalado oficialmente em 29 de dezembro do mesmo ano. Em 1962, a população foi às urnas nas primeiras eleições locais e elegeu Alfredo Wagner Júnior — filho do homem homenageado com o nome da cidade — como o primeiro prefeito. Hoje, com um território cercado por montanhas e estimado em 765 km², Alfredo Wagner integra a Mesorregião da Grande Florianópolis.[7]
A força motriz da cidade continua sendo a agricultura, mantendo viva a vocação dos primeiros colonos. O carro-chefe da economia local é o cultivo da cebola, garantindo ao município a posição de segundo maior produtor dessa cultura em todo o estado de Santa Catarina.[7]
Geografia
A maior parte dos moradores de Alfredo Wagner — cerca de 70% da população — vive na zona rural. Na área urbana, a água que chega às torneiras vem do tratamento do rio Caeté, sendo complementada também por fontes naturais e pequenos arroios. Já a rede de energia elétrica atende a 85% das propriedades do município.
Para valorizar o trabalhador do campo e frear o êxodo rural, a prefeitura tem apostado em programas de incentivo à produção. Uma das principais iniciativas é um convênio firmado com um abatedouro de Rio do Sul, que funciona em sistema de parceria para a criação de suínos junto às famílias de agricultores. O apoio se estende à pecuária leiteira: a administração municipal adquiriu resfriadores e tem ajudado a intermediar a venda do leite local diretamente para quatro grandes empresas do setor.
Além da força no campo, a cidade almeja um salto industrial nos próximos anos. Esse otimismo se deve à sua localização estratégica e ao bom acesso por rodovias asfaltadas, ficando a uma distância média de 80 quilômetros de centros importantes como Lages, Florianópolis e Rio do Sul. Para atrair novas fábricas, o município oferece pacotes de incentivo generosos, que incluem a isenção total de tributos municipais e até a doação de terrenos para a instalação de indústrias.
No roteiro de belezas naturais, um dos pontos de maior destaque é a Reserva Rio das Furnas. Esse refúgio de preservação fica localizado na comunidade de São Leonardo, emoldurado pelas paisagens da Serra dos Faxinais, na região do Alto da Boa Vista.
Turismo
Localizada em um ponto estratégico, Alfredo Wagner funciona como uma verdadeira área de transição entre a Serra Catarinense, os Campos da Boa Vista e o Vale Europeu. O que mais chama a atenção de quem visita a cidade é a natureza exuberante, desenhada por um relevo acidentado, vales extensos e, principalmente, por uma abundância impressionante de águas. É o tipo de lugar que oferece cenários deslumbrantes, perfeitos para quem busca respirar ar puro e desfrutar de muita tranquilidade.
Essa riqueza hídrica é tão marcante que o município ganhou o merecido título de "Capital das Nascentes". É justamente em seu território que brotam quatro rios de extrema importância para Santa Catarina: o rio Braço do Norte (que mais à frente deságua no rio Tubarão), o rio Canoas (um dos formadores do gigante rio Uruguai), o rio Cubatão (responsável pelo abastecimento da Grande Florianópolis) e o rio Itajaí-Açu (que dá nome e vida ao famoso Vale do Itajaí).
Para acolher quem deseja explorar de perto todas essas belezas naturais, a cidade conta com uma estrutura hoteleira modesta, mas bastante aconchegante, oferecendo boas opções de hotéis e pousadas preparadas para receber os turistas.
Museu Municipal
Fruto de anos de pesquisas e escavações na região, uma rica coleção de artefatos, fósseis e peças geológicas foi reunida na comunidade de Lomba Alta, dando origem ao Museu de Arqueologia da Lomba Alta.
O espaço abriu as portas em 20 de outubro de 2002, uma data simbólica que marcou os 50 anos do falecimento de Alfredo Henrique Wagner. A própria construção do museu já é um atrativo à parte: trata-se de uma bela réplica da casa do patrono da cidade, erguida com inspiração na tradicional arquitetura suíço-germânica.
Quem explora o local encontra, logo no piso térreo, um acervo bastante diversificado que preserva a memória arqueológica, ecológica e geológica da área, além de coleções de moedas antigas. O sótão funciona como um verdadeiro túnel do tempo, guardando relíquias do cotidiano — como louças de época, ferramentas de trabalho e vestuário — que, em sua grande maioria, pertenceram à família Wagner. O museu se consolidou como um ponto turístico importante e, apenas em seus primeiros sete anos de funcionamento (até 2009), já havia recebido quase 36 mil visitantes.
Um detalhe muito bacana fica na área externa do terreno: logo atrás do edifício, foi cuidadosamente plantado um bosque que reúne exemplares de todas as árvores frutíferas nativas e comestíveis que crescem nas matas do município.
Referências
- ↑https://g1.globo.com/sc/santa-catarina/eleicoes/2024/noticia/2024/12/31/prefeito-de-alfredo-wagner-sc-toma-posse-nesta-quarta-1o-veja-lista-de-vereadores-eleitos.ghtmll
- ↑https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/alfredo-wagner/panorama
- ↑https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/alfredo-wagner/panorama
- ↑https://sidra.ibge.gov.br/tabela/4714
- ↑https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/alfredo-wagner/pesquisa/37/30255?ano=2010
- ↑https://cidades.ibge.gov.br/brasil/sc/alfredo-wagner/pesquisa/38/46996?ano=2021
- ↑El-Khatib, Faissal (1970). História de Santa Catarina. 4. Curitiba: Grafipar. p. 12.
- ↑http://jornalaw.com.br/2017/03/26/a-futura-capital-das-nascentes-e-o-imperio-do-brasil/