Anchieta

Localizado no extremo-oeste de Santa Catarina, na microrregião de São Miguel do Oeste, Anchieta fica a cerca de 698 km da capital, Florianópolis. Com uma área de 232,348 km², o município abriga uma população de 5.943 habitantes, segundo o censo de 2022.[7][8]

Para quem deseja visitar a cidade, o acesso principal é feito pela rodovia BR-163, entrando na sequência pela SC-305. Há também uma rota alternativa bem conhecida: acessar a SC-161 a partir da BR-282.

O clima da região é classificado como mesotérmico úmido, o que rende verões quentes e uma temperatura média anual agradável, na casa dos 17,8 °C. Administrativamente, Anchieta tem um papel importante na região, pois é sede de comarca e abriga o Fórum de Justiça responsável por atender também a população do município vizinho, Romelândia.

A história da ocupação desse território é bem mais antiga do que parece. Muito antes da chegada dos colonizadores de origem italiana — que hoje formam a principal etnia da cidade —, a região já era habitada. Fósseis encontrados na área provam que povos indígenas viveram ali de forma seminômade ou usavam as matas de Anchieta como rotas de passagem entre diferentes tribos.[10]

Hoje, a economia local se apoia em várias frentes. As bases mais fortes estão na agricultura e na bovinocultura, mas a cidade também tem se destacado no turismo ao ar livre e no setor industrial, com fábricas dedicadas à produção de móveis, maquinário para madeira e peças de caminhão. Um dado interessante que ilustra essa movimentação é que, apenas em 2016, a cidade registrou quase R$ 71,9 milhões em operações de crédito.[9]

Quando o assunto é festa e tradição, Anchieta não fica para trás. Durante anos, o município sediou a Festa Nacional do Milho Crioulo e Sementes Crioulas. Atualmente, o grande evento do calendário é a Expo Anchieta, que impulsiona o comércio e reúne um público expressivo com shows nacionais e diversas comemorações locais.[11]

História

Origens, Povoamento e Etimologia

Assim como muitas cidades do Oeste catarinense, Anchieta não surgiu por acaso: ela foi fruto de um planejamento urbano. A responsável por desbravar a região foi a empresa colonizadora "Pinho e Terras Ltda", que deu início às suas atividades de exploração por lá no ano de 1950.[12]

O marco inicial do povoamento ocorreu em 20 de setembro de 1953, quando Vitório Picolli, sua esposa e seus dez filhos se tornaram a primeira família a se fixar de vez no local. Logo na sequência, outras famílias tradicionais chegaram para ajudar a construir a comunidade, incluindo os Daltoé, Cescon, Balestrin, Moscon e Lazzarotto.

A origem do nome da cidade tem uma história bem interessante. Olímpio Dal Magro, que morava em São Miguel do Oeste e gerenciava a colonizadora, organizou uma expedição rumo à área onde hoje fica o centro do município. Acompanhado de outros pioneiros e de dois religiosos, ele abriu caminho no meio da mata virgem na base da foice e do facão. Quando o grupo chegou a um ponto conhecido como "Prateleira", os padres celebraram uma missa especial em homenagem ao jesuíta espanhol José de Anchieta. O momento marcou tanto os desbravadores que a futura cidade acabou sendo batizada com o nome do padre.[12]

Formação Administrativa e História Recente

O desenvolvimento de Anchieta foi rápido e expressivo. Após passar cerca de dez anos como distrito, a localidade conquistou a sua independência política. O desmembramento de Guaraciaba foi oficializado através da Lei nº 876, de 29 de março de 1963, e a instalação do novo município aconteceu logo depois, em 10 de abril daquele mesmo ano.[12]

Nessa fase de transição, a administração pública foi conduzida por David Perin, que assumiu como o primeiro prefeito por nomeação do governo estadual. Mais tarde, ele transferiu o cargo para Orestes Gheller, que entrou para a história como o primeiro prefeito de Anchieta escolhido pelo voto popular.[12]

Atualmente, o município faz parte da microrregião de São Miguel do Oeste, abrangendo um território de aproximadamente 232 km² de terras férteis. A antiga exploração de madeira do passado deu lugar a uma agricultura forte e diversificada, além da suinocultura, que cresce e ganha cada vez mais destaque na economia local. Além das riquezas geradas no campo, Anchieta guarda um grande potencial para o turismo ecológico: o Salto do Roncador, uma belíssima queda d'água de 80 metros de altura localizada no rio Capetinga, atrai diversos visitantes e é um dos grandes orgulhos da região.[12]

Turismo

A cidade é um prato cheio para quem curte ecoturismo e esportes de aventura. Para se ter uma ideia da riqueza natural da região, já foram catalogadas cerca de 120 cachoeiras no município. O canionismo é um dos grandes destaques locais, com roteiros imperdíveis no Cânion do Lado, no Cânion da Jaboticabeira e nas belas quedas d'água do rio Araçá.

Outra atração que tem colocado Anchieta no mapa do turismo nacional são os passeios de balão. Desde 2015, visitantes de várias partes do Brasil viajam até a cidade para sobrevoar e admirar as paisagens lá do alto. Esse movimento ganhou ainda mais força com a criação da Rota dos Cânions, um roteiro bacana que combina a exploração das cachoeiras com os tradicionais voos de balão. O projeto fez tanto sucesso na região que acabou chamando a atenção e ganhando cobertura de várias emissoras de TV locais.

Na hora de recarregar as energias, os turistas costumam ficar no Hotel Belvedere. Com uma arquitetura que carrega fortes traços da cultura sulista, a hospedagem fica estrategicamente localizada em uma área mais elevada, logo após o portal de entrada da cidade. Já para quem procura diversão à noite, a West Music Pub é o principal ponto de encontro, movimentando a região com shows de artistas conhecidos, festas de música eletrônica e apresentações de ritmos regionais.

O calendário de eventos também reserva um espaço muito especial para os apaixonados por plantas. Todo ano, sempre na época do feriado da Independência, a cidade sedia a Exposição Regional de Orquídeas. O evento é organizado com muito carinho pela ADORA (Associação de Orquidófilos Anchietenses), um grupo formado por moradores dedicados a cultivar e celebrar a beleza da flora local.[13]

Educação

A estrutura educacional de Anchieta atende desde os pequenos até os jovens que estão concluindo a educação básica. O município conta com a Escola de Educação Básica Professor Osni Paulino da Silva para o ensino médio, além de três unidades dedicadas ao ensino fundamental: as escolas Padre Reinaldo Stein, João Café Filho e a Escola Bairro Xavantes. Para a educação infantil, a rede dispõe do Centro Municipal (CMEIF), de creches e de unidades escolares menores espalhadas pelo interior.

Na memória da cidade, o antigo Colégio Cenecista (CNEC) ocupa um lugar de destaque, tendo sido muito presente na formação das gerações passadas. Atualmente, o colégio não funciona mais, e o prédio pertence à Igreja Matriz, que utiliza o espaço para projetos sociais desenvolvidos em parceria com a prefeitura local.

Quanto ao ensino superior, o município já foi alvo de tentativas de diversas instituições que buscaram implementar cursos de graduação na região. No entanto, essas iniciativas não prosperaram, possivelmente devido ao número reduzido de alunos interessados ou ao formato de aulas totalmente à distância, que não se consolidou entre o público local.

Economia

A força econômica de Anchieta está profundamente ligada às suas raízes no campo e ao crescente setor turístico, que aproveita as belezas naturais da região para gerar renda e oportunidades.

Um marco recente no desenvolvimento local foi o início da construção da PCH Garça Branca, em 2015. Esta pequena central hidrelétrica, erguida na comunidade de Linha São Judas, aproveita o potencial do Rio das Antas na divisa com o município de Guaraciaba. Com um investimento expressivo de R$ 37 milhões, a obra teve sua conclusão prevista para 2018.

Além da energia e da agricultura, a cidade abriga indústrias que levam o nome de Anchieta para outros mercados. Empresas como a CVL Máquinas, BL Fibras e Plásticos, DiQualitá Estofados e Parpinelli Móveis possuem relevância nacional e até internacional, consolidando o polo industrial do município.[14]

Referências