Desigualdade social: o que é, significado, definição e conceito

Pobreza, violência, desemprego, desnutrição. Esses são apenas alguns dos efeitos devastadores que a desigualdade social provoca, sobretudo em países subdesenvolvidos, como é o caso do Brasil.

Muito comentada nos telejornais e  tema recorrente nas redações escolares, a desigualdade social ainda é um assunto pouco compreendido pela maioria, tanto no que diz respeito ao seu lado histórico, ou seja, a raiz do problema, quanto nas consequências e impactos que ela provoca na sociedade.

E então vamos mergulhar mais a fundo nesse conceito? Acompanhe o post com a gente:

O que é desigualdade social? Quais são as suas causas?

A desigualdade social é fruto de um sistema politico econômico que, via de regra, favorece os mais ricos em detrimento dos mais pobres ao não estabelecer politicas públicas de manutenção dos direitos básicos e uma melhor distribuição de renda entre as diferentes camadas sociais. Em uma sociedade vítima da desigualdade social, as pessoas são divididas em grupos de acordo com a classe social que representam, sendo que os mais pobres ocupam a base da pirâmide social, ou seja, a parte maior, enquanto os mais ricos ficam no topo ou, consequentemente, na base estreita e seleta dessa estrutura.

Uma sociedade marcada por desigualdades sociais se caracteriza, entre outras coisas, por:

  • Altas taxas de desemprego;
  • Violência e criminalidade;
  • Marginalização;
  • Moradias inadequadas e em locais de risco;
  • Alimentação inadequada, podendo beirar a desnutrição;
  • Acesso precário a saúde pública e a educação de qualidade, tendo em vista que países com altos níveis de desigualdade social sofrem constantemente com o desvio de recursos por conta da corrupção;
  • Transporte público ineficiente e pessoas tendo que percorrer grandes distâncias para chegar ao trabalho;

Nos dias de hoje, um dos principais responsáveis pela propagação da desigualdade social no mundo é o sistema capitalista. Mas por quê? A lógica do sistema capitalista se baseia na obtenção e manutenção dos lucros, na ideia de propriedade privada, nas relações competitivas e no consumo em larga escala como forma de sustentar o mercado. Todas essas características do capitalismo o tornam uma fonte natural geradora de desigualdades, uma vez que para possuir capital e, ainda, manter a roda do consumo girando é indispensável que existam diferenças sociais capazes de sustentar todo esse mecanismo.

Contudo, para muitos teóricos, o capitalismo não é a fonte de todo mal. Como a própria historia já revelou, sistemas políticos e econômicos como o socialismo e o comunismo são tão geradores de desigualdade, quanto o capitalismo. Isso acontece porque, apesar desses sistemas defenderem direitos iguais e distribuição de renda, acabam sendo vítimas de uma grande rede de corrupção que inviabiliza a manutenção de direitos básicos e uma adequada distribuição de renda. Quer dizer então que não existe solução para a desigualdade social? Isso é o que vamos abordar no próximo tópico:

Soluções para a desigualdade social: é possível?

Olhar o cenário ao redor é desanimador, entretanto, alguns estudiosos e filósofos acreditam que a desigualdade social é um mal que tem cura. De que forma? O primeiro passo é elegendo governantes verdadeiramente comprometidos com o problema. Os demais passos para a erradicação da desigualdade social mencionamos a seguir:

  • Programas públicos de distribuição de renda;
  • Combate efetivo contra a corrupção;
  • Saúde, educação e cultura como bases essenciais de um plano de governo;
  • Redução do desemprego com incentivo as pequenas e medias empesas;
  • Diminuição da carga tributária para a parcela mais pobre da população e uma incidência maior de impostos para a parcela mais rica;

Desigualdade social no mundo

A desigualdade social no mundo não vem de hoje. É resultado de um processo histórico aliado ao contexto de cada país. De acordo com a ONU, os países com a maior taxa de desigualdade social estão em território africano, sendo que África do Sul e Namíbia lideram o ranking em primeiro e segundo lugar, respectivamente. A América Latina também figura entre as áreas mais desiguais do globo, como é o caso de países como Colômbia, Paraguai e Brasil que ocupam o oitavo, novo e décimo lugar, respectivamente.

Os países asiáticos também aparecem na lista, com destaque para países como Índia, China e Vietnã, onde o contraste entre os mais pobres e os mais ricos é de saltar aos olhos.

A parte menos afetada do globo é o  continente europeu, sendo que nele, o país com mais alto índice de desigualdade social é Portugal. Em contrapartida, a Europa abriga os países com melhor distribuição de renda e menor desigualdade social. Países como Alemanha, Noruega, Suécia e Dinamarca veem na desigualdade social uma realidade bem distante.

Desigualdade social no Brasil

Lamentavelmente vivemos em um belo país tropical que, atualmente, ocupa a vergonhosa 9° posição entre os países mais desiguais do mundo, ficando a frente até mesmo de países como Ruanda, Quênia, Guatemala e Guiné-Bissau.

De acordo com relatório divulgado pela Oxfam Brasil, nos últimos dois anos o Brasil regrediu duas posições no ranking, saindo da 11° posição para 9° posição. Esse rebaixamento é resultado direto da crise política e econômica que vem assolando o país nos últimos anos.

Só para você ter uma ideia do abismo que separa as diferentes camadas sociais no Brasil, os mais ricos correspondem a apenas 10% da população, enquanto os mais pobres representam quase 50% da população total, sendo que a média salarial dos mais ricos beira os quase R$ 10 mil reais mensais, já os mais pobres sobrevivem com, no máximo, até R$ 1300 por mês. Ou seja, tem dinheiro sobrando para poucos e faltando para muitos.

Programas como Bolsa Família, por exemplo, foram fundamentais para retirar boa parte da população carente da pobreza absoluta, mas a falta de investimentos em estruturas básicas, especialmente educação, gerou a estagnação do projeto. Na prática, é a velha ideia do “dar o peixe, mas não ensinar a pescar”. Em curto prazo, o resultado é notável, mas a longo prazo não passa de mais uma medida que não se sustenta nas próprias pernas.

Quando se fala em desigualdade social no Brasil ainda é preciso citar o peso histórico que reflete no tema. Um país colonizado, de origem escravocrata e que saiu há pouco tempo de uma ditadura não conseguiu criar uma base sólida para construir um projeto de estado nação justo, equilibrado e capaz de contemplar a todos.

O que se vê no Brasil nos dias atuais é a continuação desse modelo de sociedade desigual que resulta em um ciclo vicioso que parece não ter fim: má distribuição de renda somada aos poucos investimentos em educação faz aumentar o desemprego, gerando criminalidade e aumento da violência que, por sua vez, aumenta ainda mais o abismo social entre as classes.

Tipos de desigualdade

Como se não bastasse a desigualdade econômica e social, a humanidade ainda precisa enfrentar a propagação de outros tipos de desigualdade, muitas vezes oriundas dessa primeira, como é o caso da desigualdade de raças, que  privilegia com melhores oportunidades indivíduos de uma determinada raça do que outra, mesmo que convivam em um mesmo país, como é o caso da disparidade gritante entre brancos e negros ou entre índios e brancos.

Outro tipo comum de desigualdade é a de gêneros, ou seja, quando a identidade sexual – homem ou mulher – e a opção sexual – homo, hetero ou bissexual, por exemplo – determinam as oportunidades e o status social de um indivíduo.