Carpe diem: o que é, significado, definição e conceito

Carpe Diem é um termo em latim que significa “aproveite o dia”. Apesar de ser muito contemporânea e frequentemente utilizada, inclusive em tatuagens, a frase não é tão recente assim. Ela apareceu pela primeira vez no século I d.C na obra “Odes”, do poeta romano Horácio.

Carpe Diem e a brevidade da vida

Ao utilizar o termo pela primeira vez, Horácio desejou expressar a brevidade da vida e a necessidade de viver o aqui e agora sem preocupações com o futuro.

Ou seja, “carpe diem” não se refere a um dia especifico, mas um modo filosófico de viver sem ansiedades, lembrando-se sempre da brevidade com que passamos pelo mundo, sabendo que a morte é inevitável, apesar de não termos conhecimento de quando ela virá.

Para Horácio, é inútil saber o que se passa após a morte e, sendo assim, a única coisa que resta a fazer é viver a vida ou “carpe diem”.

O termo ainda pode ser interpretado como uma espécie de resposta ao medo da morte e daquilo que é desconhecido. Um medo que não serve para nada e que só tira a oportunidade de experimentar aquilo que a vida tem de melhor.

Carpe diem quam minimum credula postero

A frase “carpe diem quam minimum credula póstero” significa “Colhe a flor do dia, pouco fiando do que depois vier a suceder”.

Ela finaliza o poema Ode 11 do livro de Horácio. No trecho, que você confere a seguir, o poeta realiza um diálogo com Leucónoe, sua amiga, no qual ele a orienta a aproveitar a vida antes que seja tarde demais:

Versão original da obra de Horácio: Ode 11 do livro 1

1 Tu ne quaesieris — scire nefas — quem mihi, quem tibi
2 finem di dederint, Leuconoe, nec Babylonios
3 temptaris numeros. Ut melius, quidquid erit, pati,
4 seu plures hiemes, seu tribuit Iuppiter ultimam,

5 quae nunc oppositis debilitat pumicibus mare
6 Tyrrhenum: sapias, vina liques, et spatio brevi
7 spem longam reseces. Dum loquimur, fugerit invida
8 aetas: carpe diem, quam minimum credula postero.

Versão traduzida por Maria Helena da Rocha Pereira

“Não pudemos, Leucónoe, saber — que não é lícito — qual o fim
que os deuses a ti ou a mim quererão dar,
nem arriscar os cálculos babilónios. Quão melhor é sofrer o que vier,
quer sejam muitos os invernos que Jove nos der, quer seja o último
este, que agora atira o Mar Tirreno contra as roídas rochas.
Sê sensata, filtra o teu vinho e amolda a curto espaço
uma longa esperança. Enquanto falamos, terá fugido o invejoso tempo.
Colhe a flor do dia, pouco fiando do que depois vier a suceder.”

Carpe Diem na literatura

Depois de Horácio, muitos outros autores utilizaram o termo “carpe diem” em suas obras, especialmente dentro das escolas do classicismo e do arcadismo. O poeta português árcade Tomás Antonio Gonzaga é um bom exemplo. Na obra Marilia de Dirceu, o significado do termo “carpe diem” é evidente, como mostra o trecho a seguir:

“Ah! não, minha Marília,
aproveite o tempo, antes que faça
o estrago de roubar ao corpo as forças
e ao semblante a graça.”

Já na literatura moderna foi o poeta português Fernando Pessoa, sob a figura do heterônimo Ricardo Reis, que revisitou não só o termo, mas o sentido filosófico de “carpe diem” em diferentes obras.  Uma de suas poesias mais famosas, inclusive, chama-se “Colhe o dia, porquê és ele”. Veja um dos trechos em que a frase aparece:

“Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
O dia, porque és ele.” 

Carpe Diem na filosofia

Antes mesmo de Horacio, no entanto, a filosofia já se relacionava com o conceito de “carpe diem”, apesar de não utilizá-lo literalmente como fez o poeta romano.

O termo cai como uma luva dentro da escola filosófica conhecida como Epicurismo, criado no século IV a.C pelo filósofo grego Epicuro.

Esse sistema filosófico acreditava na efemeridade da vida, na libertação dos medos e na busca por prazeres moderados como forma de se atingir a felicidade.

Dessa forma, a ideia de “aproveitar o dia” passou a fazer grande sentido para os epicuristas, uma vez que eles ansiavam por viver cada momento sem preocupações. 

Carpe Diem no cinema

O cinema também se apropriou do termo “carpe diem” para ilustrar cenas e dar sentido às histórias criadas na tela. Um grande exemplo de carpe diem no cinema é o filme “Sociedade dos Poetas Mortos”, de 1989, protagonizado por Robin Willians.

No filme, o ator é um professor que precisa conviver com um duro sistema de ensino e com alunos cheios de conflitos pessoais. A solução encontrada por ele é ensinar literatura sob o lema “carpe diem”, de modo que as crianças consigam se desprender das preocupações e viver cada dia de modo leve e tranquilo.